Suzie_Pukka por Cacau Freire











Erick acordou às 2 da tarde. Àquela hora o calor era insuportavel! Estava com fome e foi para cozinha preparar um sanduíche.

Se sentia meio tonto. Não sabia se era o cansaço ou o calor…lembrou-se de Angel. Parecia um sonho. Se despedir? Que idéia… isso não fazia o menor sentido.

Barulho de carro na porta. Ele saiu para ver.

- Olá bonitão, pode me ajudar aqui?

Ele pegou as compras e levou para a cozinha. Ela afagou os cabelos pretos dele com carinho e sorriu.

Sentaram-se para comer. Silêncio. Erick gostava de ficar em silêncio com ela. Gostava de não ter que falar, de se explicar de alguma forma…Isso não incomodava os dois.

Ela foi tomar banho, ele continuou ali, parado, na cozinha.

Um furacão passava por sua cabeça. Havia uma certa confusão no ar, as coisas pareciam meio sem lugar. Foi para o quarto, pegou o mp3 e começou a ouvir música e a rever suas revistas de surf prediletas: campeonatos mundiais, muita gente famosa, muita grana…

Buzinaço. Erick saiu para ver quem era.

Um carrao azul, conversível, estava parado na rua. E um cara, com uma cabeleira loura parafinada, acenava.

- E aí mano!

- E aí! respondeu.

Era o Marvin Wilson. O Marvin era surfista pro. Já havia ganho vários prêmios internacionais, uma grana ferrada! Vivia em torneios pelo mundo afora, trips com um patrocínio legal. Ele e Erick se conheciam dos tempos em que o Setibão era apenas uma reserva florestal desconhecida.

Erick adminrava o Marvin em tudo. Ele era uma espécie de amigo, orientador, chegado mesmo!

- Quando vc voltou?

- Ontem à noite?

- Hawaii?

- Não, mano, Austrália? E ai, o q tá pegando?

- Nada, mano. Galera de férias, a cidade tá mó lotada.

- E vc, como está?

- Tudo beleza!

- E a Linda?

Erick riu. Sabia que o Marvin era a fim de sua mãe. Não se importava com isso, afinal o Marvin era um cara legal.

- Tá na dela!

- Vou ver se movimento a parada! Vc tem visto o Índio?

- Hj de manhã, no ‘trabalho’ cedinho. (Trabalho era o que eles chamavam de acordar às 4 da matina para pegar ondas no Setibão).

- Bele, vou nessa!

- Falou!

Puxa, aquele carrão azul do Marvin era demais!

- Quem era? Perguntou a mãe de Erick saindo para varanda.

- Era o Marvin, ele voltou da Austrália.

- Hum…

- Pergutou por vc…

Ela riu.

Ele também.

A mãe de Erick, Linda, era uma jovem viúva, há mais de dez anos. Moravam, desde então, na casa que seu avô havia construído. Ela era professora da escola pública local e, apesar de viúva, era linda mesmo! Desde a morte de pai, Erick nunca mais a vira acompanhada. Tinha muitos pretendentes, mas o coração parecia fechado para relacionamentos. Erick sabia disso e deixava rolar…



etc.