” swimming into the music….
swimming into the music…
hello, hello, bora!”
Reuniram a turma, passaram pela praia da Cerca. Estava com lua prateada sobre as marolas do vento norte.
Os cabelos ruivos de Júnia balançavam em direção a Erick, fazendo cócegas em seu rosto. Ela olhou para ele e sorriu. Naquela praia deserta àquela hora a galera ia fazer luau nas pedras e alguns transavam na areia.
O Marvin passou direto. Eric olhou para a casa branca, uma mansão que ficava no alto do rochedo. Quem será que morava ali, pensou… lembrou-se de que uma vez, surfando naquelas ondas, vira a figura de uma mulher loira, de mais ou menos uns trinta e cinco anos, vestida de branco, chegando na varanda. Mas foi apenas uma vez…
O Marvin pegou a rodovia do sol em direção ao setibão. O Índio havia trazido um litro de vodka e já entornava. Chegaram. Uma galera já estava em volta da fogueira. Aquela noite não tinha muitas estrelas no céu por causa da lua cheia. O vento norte soprava forte agora.
Um carinha tocava violão. As ondas deixavam o ar úmido com a maresia da noite. Fazia um pouco de frio. O Marvin fez com que Erick se sentasse ao lado de Júnia.
Alguém havia trazido vinho, a maconha rolava solta e o vento levava tudo aquilo pelos ares, num sussurro suave nos ouvidos. Reagee, Reagee, yeah, Jah!
Os cabelos dela pareciam ainda mais vermelhos…
Erick não fumava nem bebia. O Marvin não deixava que ninguém risse dele por isso. Brincava e dizia “o Erick vai pro brasileiro o ano que vem, tá se cuidando! É meu discípulo…tá na dele!” A galera ria e ninguém enchia muito o saco.
Ele olhou para o mar…à noite no Setibão entrar naquelas águas era ainda mais arriscado. Ele gostava de fazê-lo, parecia saber o caminho de cor. Primeiro andava uns trezentos metros pra frente na praia. Entrava no mar remando sempre para a direita e logo pegava a corrente atravessando a arrebentação. Chegava no point rápido. O Índio também sabia fazer isso. Eles riam dos turistas que tentavam alcançar o point na vertical.
Surfistas experientes de outras praias ficavam observando para tentar localizar a corrente, mas mesmo assim era difícil. Alguns iam embora depois de observar por algumas horas…desistiam…
Júnia perguntou: “Vamos andar um pouco, estou meio tonta”.
“Claro”, respondeu ele.
Afastaram-se do grupo. Como o Erick amava aquele lugar…De repente Júnia parou. Erick olhou pra ela. Começaram a rir. Ela disse: “Acho que vou cair na água!” E saiu correndo em direção ao mar, descendo a montanha de areia.
Ele arregalou os olhos e correu atrás dela. Agarrou-a por trás e segurou os ombros com força. Virou-a e disse. “Sua louca! Não sabe que isso aqui é mar aberto! Poderia ter morrido!”
De repente, uma onda forte estourou, fazendo um estrondo ensurdescedor.
Ela se encolheu nos ombros de Erick e falou baixinho: “Desculpe…”
Ele olhou nos olhos dela. Ela o beijou.
A boca dela…parecia uma porta. Era fria e dura…Tinha gosto de vinho e maconha.
Separaram-se. “É melhor a gente voltar pra galera”, ele sugeriu.
Ela concordou.
Voltaram. Àquela hora as músicas começavam a ficar mais lentas…Sentaram-se juntos novamente. O Marvin olhou para Erick com um olhar orgulhoso…Erick sorriu meio sem vontade. Já estava cansado.
Às quatro da manhã o Indio levou as meninas pra casa. A outra tinha ficado com ele. Elas eram vizinhas. Júnia era filha de um professor de universidade que tinha apartamento perto da praia da cerca. Vinham prara aquelas bandas todo o verão.
Lembrou-se de Angel…subindo a ladeira…sozinha..