Suzie_Pukka por Cacau Freire











{Agosto 13, 2008}  

Me gusta correr, me gustas tu
Me gusta la noche, me gustas tu

Que voi a ser je ne se pas
Que voi a ser je ne se plus
Que voi a ser je suis perdi.
Que horas son mi coracón?

O dia começava a amanhecer. Àquela hora, 5:25 da madruga, a muvuca estava fazia. Só haviam uns poucos bêbados, uns chatos, e os garis que chegavam, aos poucos, para limpar a praia.

Mas ela havia encontrado boa companhia naquela noite. Ela, a Poly e a Líga estavam conversando já havia umas três horas com uma turma de Villa Velha. Mal acreditava que ele estava conversando com ela, aquele cara, alto, e tinha uma cabeleira loira que batia quase na cintura…Max!

Ele tinha aparecido com uma turma, um casal e mais duas pessoas. Mas já fazia uma hora que ele só olhava e conversava com ela.

Agora o céu começava a ficar dourado e aos poucos vermelho. Depois de tanta bebida, muita vodka misturada com canela e guaraná em pó, nada mais fazia efeito. Nas barracas ninguém mais fazia batidas. O casal fumava cigarros de bali sem parar.

O céu começava a ficar azul e o sol clareava agora toda a praia. Aquilo ali era mágico, amanhecer o dia naquela parte da praia, tão prostituída e suja, agora sendo limpa e em um novo dia. Tudo era claro… As ondas que estavam bravas durante a noite, agora se quebrando mais devagar, com mais capricho. O céu estava limpo e podia-se respirar a maresia num vapor transparente e suave que vinha do mar.

- Vamos nos assentar naquelas espreguiçadeiras.
- Vamos sim.

Não queriam acabar a conversa, porque aquilo ali estava bom demais. Se afastaram do grupo. Deitaram nas espreguiçadeiras de frente para o mar. O sol fraquinho e super-amarelo iluminava tudo, aquela cabeleira e os olhos dela.

De repente estremeceu. Passou um pensamento frio pela sua mente. “A minha mãe deve estar fazendo caminhada a essa hora na praia, ela deve passar por aqui a qualquer momento…”

- Que foi?
- Nada…ela respirou fundo. Preciso ir andando.
- Posso te ver amanhã? Onde você mora?
- No fim da praia, onde não tem ninguém. Está vendo aquele prédio lá. Tem dois iguais, um aqui no meio da praia e outro no final. Moro naquele.
- Amanhã venho te ver.
- Tá bom.
Mas ela não acreditou muito. Se beijaram. Ela, a Poly e a Lígia foram embora correndo. O dia já estava rolando…que noite!

Na terça-feira, lá pelas quatro horas da tarde, ela estava sentada nos bancos de frente para o edifício, de frente para o mar. Ele apareceu, de bermudão verde escuro, uma camiseta de surfista amarela e havaianas pretas.

- Vamos dar uma volta. Vamos para as pedras, no final da Praia do Morro. E a conversa boa que nunca acabava…

Ala bim ala ban, Ala bim bon ban



etc.